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Vôo solitário,
Como solitária é a noite.
Cruzo miríades de estrelas,
Mas não me encontro em nenhuma.






 
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São poucas as pessoas que conhecemos que nos marcam pelo resto da vida. Não é sequer necessário conviver diariamente com esse alguém - é a pessoa, não o tempo, que faz a diferença.

Lembro até hoje do primeiro dia em que te vi, canteiro de obras, estressada com alguma tarefa de ferraria que nos era proposta. Conversa agradável, olhos verdes que transbordavam inteligência e grandes doses de ironia/sarcasmo/bom humor. E ficaram longas, aquelas inesquecíveis tardes nos fundos do clube de xadrez.

As inseguranças. Os conflitos. Os temores. Estavam todos ali, dissecados por dois jovens mergulhados nas aflições de mal ter 17 anos. Choramos junto, eu não sabia o que queria ser, você queria morrer antes dos trinta. Viramos melhores amigos, irmãos, confidentes. Brigamos. Nos perdoamos. Nos afastamos, nos reencontramos. Foram 3 anos assim, um tipo de amar que me era novo, e que se tornou essencial.

Você fazia questão de ser imprevisível. Sumia. Reaparecia. Um dia me deixava uma carta, que eu só sabia ser sua porque você sempre dobrava o papel do mesmo jeito. Quantas vezes me vi muito perto de ti, quase te alcançando... para te perder no momento seguinte, até porque senão não seria você! Gostar de ti era gostar do vento...

Sempre te quis como amiga. Às vezes como mulher, mesmo nunca te tendo...

Um dia nos beijamos - você querendo uma loucura de um dia, eu perdido num absurdo de outro relacionamento. Foi a pior conversa que já tivemos, uma em que não se disse nada que importasse, nada que tocasse a alma do outro; éramos dois estranhos, sentados num bar e procurando uma desculpa para algo que nunca aconteceu. Me soava incesto...

E o tempo passou, cavou seu abismo entre nós. Te vi a séculos de mim, cada um no seu canto, com sua vida. Você não morreu antes dos trinta, e eu - bem, até hoje não sei bem o que sou! - mas sei o que quero. Você casou algumas vezes, eu tive os meus momentos.

E o que nos resta? Resta uma amizade estranha, baseada num laço de sangue imaginário que não seria mais forte se fato. Um amar profundamente, como amar uma filha, uma irmã. E a saudade, imensa, daquelas tardes atrás do clube de xadrez...

07 Feb, 2010 - thomas - visto 32435x



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